Minha pequena,
Espero que não te recordes da crueldade dos Homens e que o corpo já não te doa; espero que já não tenhas frio e que te tenham arrancado definitivamente da escuridão.
Gostava de ter tido a oportunidade de dizer adeus, de te ter levado a passear mais vezes, enfim, de te ter dado mais atenção. Perdoa-me pela ausência dos últimos tempos. Espero que tenhas partido consciente da importância que tinhas para mim.
Vou ter muitas saudades… O brilho dos teus olhos, quando me vias a chegar; os saltos e corridas que dávamos sempre que passeávamos juntas; o quanto me magoavas nos braços quando me tentavas abraçar com as patas; a forma como batias com a patinha na minha mão quando te dizia “Dá cá mais cinco!”.
Desculpa-me por todas as vezes em que não te protegi do mundo. Desculpa-me por não te ter oferecido os meus braços sempre que precisaste de esconder a cabeça do ruído. Não queria que tivesses partido com medo. Devia ter lá estado, a segurar o teu corpo contra o meu até ao último suspiro.
Obrigada por tudo o que me ofereceste nos últimos oito anos.
Dá cá mais cinco!
Nunca te esquecerei,
Janine
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