O que fizeram em mim são ossos. Apenas carne e ossos. Tudo o resto é meu. Eu sou minha.
O silêncio. Meu amado silêncio. Os metálicos grunhidos, cuspidos, mancharam o meu silêncio.
O nevoeiro desvanece no crescer da manhã. Não sou só carne e ossos. Minha paz morta.
A náusea que trazem aos ombros sou eu. Não o sabem ainda, mas sei-o eu. De olhos no chão.
Pela vergonha do asco que vomitam, sem sequer saberem que é a mim que odeiam. Em dez pulsos, o meu coração perde três. Os três que não me pertencem, pela carne e os ossos.
Um buraco no crânio. Da vergonha. Não saber se perco mais do que ganho.
Ainda que queime os pulmões e os troque por carvão, há o vosso sangue a correr-me nas veias. Amem-me. Ou fustiguem-me até que parta para sempre.
O amor pela verdade. O silêncio pelo amor. Não viverei de olhos no chão. Com o nevoeiro, foram as vantagens de ser invisível.