O gajo desceu o inferno de charro em punho, esperando o momento certo para o sentir nos pulmões. Assim que apontou do outro lado da rua, sacou do fogo que trazia na algibeira e deixou-se arder. O cheiro a erva inundou-me e intensificou-se até deixar de o sentir. Afinal, eu subia o inferno e afastava-me de todos aqueles pecados do mundo lá em baixo. Nem sei se o gajo me viu mesmo, mas ignorou a minha presença como se se cruzasse com um poio de merda. Sou só a gaja que passa a vida a subir e a descer o inferno.
Agora as ruas são escuras e sujas, por causa da tempestade que destruiu tudo. Afinal, o que é que faz uma gaja como eu numa rua tão escura, a esta hora da madrugada?
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