O copo vai meio cheio,
É hora de ponta na cidade.
As ruas correm meias cheias,
Neste lugar onde quase não vai gente.
Se as silvas travassem as estradas
Se os caminhos fundissem no chão
Se os astros abafassem a terra
E os peixes migrassem no Universo?
Se os rios secassem no Inverno
Se a luz do sol cessasse o dia
Se o mar invadisse os portos
E o caos devorasse a carne?
Se a Natureza me engolisse
Se me levasse alada num vendaval
Se me envolvesse em lama
E me cobrisse de espinhos?
O copo vai meio vazio
É hora de recolha na cidade
As ruas não correm pelo vazio
Neste lugar onde desaparece gente.
Se tudo apartasse na desordem
E tu não me contemplasses?