Morro aqui, de amor por ti.
Meu amor, minha alma a quem pertenço.
És o labirinto onde me encontrei, o trilho que seguiria de
olhos vendados e mãos atadas. És o fio que me liga ao mundo, a voz que sempre
me segue, as muralhas que me separam do caos.
És a minha carne e o sangue que a alimenta. És a gravidade
que me mantém aqui. O sol que me aquece. A lua que vejo pela janela.
És tudo o que bate no meu peito. És a vida que eu poderia
ter.
És o lugar vazio da cama, és a ausência no chuveiro, o robe
pendurado na porta e a gargalhada que poderia ter dado.
És a felicidade que poderia ter vivido.
És a encruzilhada onde me perdi.
Sou o abismo onde me deixaste.
Meu amor, que eu parti, que me partiu.
Saberás, um dia, que morri por ti. Que morri aqui, de amor
por ti.