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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Hoje, estou sem paciência para pensar num título



Também estou sem paciência para baptizar a fotografia.

Propositadamente, perdi um pouco a noção do tempo. Sei que está escuro, lá fora, pelo simples facto da cortina ter insistido em não se deixar fechar. Malditas modernices, que me impedem de me fechar nestas quatro paredes vermelhas da sala de estar. Ao fundo, na estrada de alcatrão, consigo ver um outdoor do Jumbo. Sinto-me frustrada, porque tenho-me visto forçada a aguentar a irritante música do Pingo Doce, dado não saber que por aqui há um Jumbo.
Os olhos ardem-me, outra vez… Talvez seja pela cor das paredes. Ou talvez se deva à minha preguiça de procurar os óculos, no caos a que normalmente chamo de quarto, ou ao cansaço pela falta de sono… Não sei, nem é realmente relevante. Relevante é este estado de espírito perigoso. Vejo o meu reflexo nítido na janela, como um misto inflamável, esperando uma faísca para explodir e criar o caos. O passado não é só composto por alicerces que nos permitem manter de pé… Inclui, também, fantasmas que nos acompanham o reflexo e nos perseguem a sombra, até nos fazerem cair.
Não sei como aqui cheguei, só sei que preciso desesperadamente do meu Olimpo. Temo seguir o único caminho que me garante atingi-lo… Porque o ser é fraco e frágil, por dentro. Mesmo quando uma fortaleza nos rodeia a alma, somos só mais uma insignificante parte do Universo, com sonhos e paixões, medos e desilusões. Sendo objectiva, tudo o que quero dizer é que tenho saudades daquela apatia.

P.S.: Obrigada Jeff Buckley, pelo simples facto de teres existido e deixares um legado como o Grace.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Histórias eternamente incabadas


Já só restam cinzas do momento em que a lua dominava o sol

Cometemos tantos erros. Não nascemos ensinados, mas devíamos ter consciência do que fazemos, porque seja como for, arcamos com as consequências. Cometemos demasiados erros. E é inteiramente verdade que aprendemos com eles! Crescemos um pouco. O problema é que há sempre mais uma característica a desenvolver. A vida nunca para de nos corrigir. E a felicidade ruma longe da inconsequência.

Problema maior é termos que nos deitar na cama com a sombra desses erros… e acordar com o reflexo do que não é possível apagar. Não há forma de riscar aquele abstracto conceito de consciência… Ninguém sabe defini-la, mas todos a vemos, quando nos olhamos ao espelho ou mergulhamos no cloreto de sódio dos nossos próprios olhos. A forma como enxergamos a sua invisibilidade… É fascinante.

Esses são os assuntos inacabados: memórias que nos atormentam e nos impedem de viver; consequências do que causamos, mesmo sem termos intenção de o voltar a fazer.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Noites frias


Usem a cinza para desenhar a paz
"Aqui está escuro. Esta noite, a luz é escassa. Só me chegam uns raios fracos, através da janela, provenientes dos postes de iluminação pública. Vejo uma sombra a mover-se no pátio… É a coruja da torre que insiste em visitar a minha varanda, noite após noite. Não a entendo, mas começo a vê-la como parte destas minhas madrugadas. Apesar de tudo, a noite não me mete confusão, só transfigura a minha pupila até ao seu maior diâmetro. Oriento-me bem.
Está tudo tão calmo, tão silencioso, tão vazio… Talvez seja melhor assim. O frio congelou-me os dedos, já não os sinto. E mesmo que quisesse chegar ao interruptor para acender a luz, não conseguiria. Os pés não obedecem à minha voz de comando, só a este inverno gelado e escuro.
O que me assusta não é a escuridão, nem esta noite pacata, nem o silêncio, nem mesmo o frio… Só o vazio. Sim, este vazio! Estas paredes brancas, nuas! Esta incapacidade de me levantar daqui!
A lua ainda brilha, ainda reflicto a sua luz na minha pele nua e pálida, de mármore polido. É o que interessa. Enquanto ela brilhar, eu vou aqui estar. Meia adormecida; entorpecida, confesso. Mas aqui, neste mesmo Mundo, sem dar um único passo."