Adeus poesia que me prende.
Ou será que me liberta?
Quando chove eu volto a mim:
Frágil, com frio, deixando pedaços aqui e ali.
Será que caí ou será nunca me cheguei a levantar?
Quero fugir destes dias, para algum lugar onde o vento não corra e as árvores não murchem. Quero apenas fugir de tudo, deambular por aí, de Primavera em Primavera.
Quero as ruas sem carros e os caminhos desertos. O sol a acariciar-me o rosto e os malmequeres a traçarem os campos. Quero provar as cores todas do mundo e saborear o calor do seu aroma, ouvindo as melodias da Natureza.
Quero umas mãos novas, mais calejadas e menos ingénuas. E um coração que ame mais, que me faça querer ficar e deixar de fugir. Ou um que não ame de todo, talvez o meu já ame demais.
Quero umas pernas novas, que não caiam no encalço do caminho certo e que saibam correr de Céu em Céu. E uma vontade sem medo de sonhos; uma vontade que sorria ao futuro. Não esta que não sabe se quer ficar ou se apenas tem medo de fugir.
Quero um corpo novo, que se deite, durma e acorde. Não este que sempre cai na tentação de viver adormecido.