Ela vive para sempre. Contudo, repousa numa câmara de ar fértil. E, se sacudida do seu torpor, ergue-se para escrever. O que escreve?
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Porquê?
Algumas pessoas nunca choram, nunca deixam transparecer o mínimo indício de fraqueza. Outras são demasiado humanas: caem, choram, sofrem, erguem-se e marcham felizes, rumo a uma nova queda. Ainda não consegui decidir se admiro as que caem num sorriso, ou as que caem e depressa se levantam sem que ninguém perceba; não sei se escolha esta extrema imperfeição da humanidade, ou esta pesada armadura eterna, que num ápice encobre todas as minhas cicatrizes e réstias de sentimentos. Entretanto, vou vacilando entre dois patamares distintos, numa oscilação impaciente de quem espera e desespera por uma vida, que insiste em não obrigar a viver.
Naquela idade em que o céu azul e as estrelas ainda são o maior mistério da humanidade, ensinaram-me que meninas crescidas não choram. Porquê? - Não poderia faltar o cliché da idade, principalmente vindo de quem lia enciclopédias no embalo de um baloiço, logo que a Primavera trazia a primeira brisa morna de fim de tarde. - Porque meninas crescidas são fortes e não choram! Não demorei muitos anos a tornar-me “uma menina crescida”.
Nunca fui pessoa de chorar… Pelo menos, não até agora. Mesmo assim, acho que me enganaram quando me explicaram que só é forte quem não chora.
Queria voltar atrás e fazer mais perguntas. E aqueles que não choram, mas passam a vida caídos no chão?
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