
Silhueta
Senti que o coração batia, outra vez. E não era puro nervosismo. No início, talvez fosse…
Nervosismo metaforizado num sorriso tímido. As luzes, o ruído, as pessoas, o calor, a transpiração patente nas mãos impacientes, a voz que temia nunca conseguir voar… Tudo se transfigurava no mesmo sorriso, esboçado com os lábios que receavam mover-se, ao som das cordas perturbadas.
De súbito, já não era o medo que dominava; as pernas já não tremiam, a sensação de formigueiro tinha passado. Era tudo emoção. Sorria porque me apetecia sorrir! Descia as pálpebras, num instinto, para esquecer a visão e apurar os outros sentidos. Eu berrei, eu sussurrei, eu senti, eu não pensei. Nem os dedos obedeciam à voz do pensamento… Agiam por si próprios, sabendo exactamente o que fazer.
Foi fácil sentir-me no meu lugar. Foi fácil deixar o instinto liderar, por momentos.
Foi fácil deixar de ver um grupo, mas sim o mundo inteiro.
Era como se sentisse tudo, de todas as maneiras.