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quinta-feira, 17 de março de 2011

Murmúrios a preto e branco

Entrei. Toda a esperança está morta.
Lençóis vazios, tão brancos e pintados de nada. Lençóis inolentes, tão desguarnecidos desse aroma.
Paredes nuas, dispostas em arestas vagarosas. Cadeiras despojadas de Homens, inertes e incultas.
Gavetas cheias de nódoas incoerentes e dispersas. Prateleiras caídas em ruína. Chão repleto de papel e manchas de tinta.
Cama fria, gélida, glacial. Corpo despido.
Horas perdidas às voltas em pensamentos insensatos. Audição vigilante.
Ar tão quente que não se respira, corpo tão frio que não se adormece.
Saí. A esperança jaz do lado de fora.

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