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domingo, 18 de maio de 2014

Voltas

A minha alma é da cor do chumbo
Da meninice escarpada por alcatrão
Do desejo de inventar outro mundo
Que não magoasse tanto o coração.

Se ao seu corpo pudesse roubar dor
Que o meu peito gritasse em improviso!
Dar-lhe-ia tudo em mim e o amor
Que sei que tenho mas não preciso.

Se a ti pudesse roubar um momento
Um só mais, sem grades na janela
Dar-te-ia só um último olhar atento
Para te ver para sempre, em cada ruela.

Se o amor é isto, não quero um coração
Pois na minha alma sobeja o nobre azar,
De não me saberes segurar pela mão
Adeus, meu amor, porque me obrigas a amar.

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