Não, não tenho nada para te dizer. Nem uma palavra que seja. Conheces aqueles rios que secam no Verão? O meu Verão tem mais de vinte anos. E ainda assim está um frio de morte. Nunca te tocarei com estas mãos geladas.
Que venha a morte. E os corpos que estariam à tona da água, se o rio não tivesse secado. Que se vejam as carcaças devoradas pela secura e os abutres a pairar.
Que se instale o caos definitivamente, estou cansada de fazer de conta que a cor que dá vida às folhas no Outono é real. Como se na realidade não estivesse já tudo tão morto quanto as minhas palavras. Como se não estivesse tudo a definhar. Como se mais um mês ou dois mudasse alguma coisa. Como se fosse possível ninguém morrer.
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