Sou feita de palavras. Caem sobre mim como a chuva morna de
um dia de Verão. Sinto-as como se fossem carícias, beijo-as como se nada mais
desejasse. À noite, deito-me com elas. Giram sobre o meu corpo, como se me
abraçassem. Sirvo-me delas quando amo. Sei manipulá-las quando odeio. E mesmo
assim nunca saberei aplicá-las.
Porque sou dona de uma voz muda, de uma fantasia que
estancou. Sou o silêncio das palavras que me moldam. Sou um poema queimado, uma
carta de amor rasgada. Sou um espírito vagabundo, num cais abandonado. Sou a
água que ceifa o fogo. Sou tudo isto e não sou nada.
Não sou nada para ti. Se algum dia me amaste, não me
escorraces, não me fustigues. Não grites mais! Não me olhes assim, da coroa do
teu amargo silêncio. Não vês que sou feita de palavras e as deixava a todas por
ti?
1 comentário:
Envolvido pelo suave badalar do tempo, deixei-me levar pelo finitamente infinito. Começou como que um corte de adrenalina, apercebi-me quando já lá estava.
Não me perguntes quando terminou. Isto não termina. Apazigua. Tenho pena. Não de mim, não de ti. De nós. De tantos mundos em que vivi, o meu mundo favorito foi o nosso e esse sim, acabou.
Neste momento, nem a Lua partilhamos. No fim, entre tudo o que fiz e tudo que foi feito, tenho a agonia de estar completo quando me sinto desfeito.
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