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domingo, 13 de maio de 2012

Ar puro


Conheci uma sensação pura. Olhou-me de longe, sorriu e caminhou na minha direção. Penetrou-me as veias e viajou por cada pedaço de mim. Invadiu-me o cérebro, contaminou-me o coração e dispersou para os pulmões. Expirei, num suspiro. Que sensação fácil, esta de alívio. Um único bafo de ar tirou-me toneladas das costas. Nunca antes me tinha sentido tão leve. E este ar que tenho respirado é como bálsamo. Já repararam no quanto é bom viver? Ter a sorte de estar vivo, com um coração que bate e uma cabeça que pensa. Viver é assim simples.
Ficou a saudade das pessoas bonitas e a recordação do que foi abraçá-las. Ficou o amor que lhes tive e terei eternamente. Ficou a diferença entre ter força e ser de ferro. Ainda que agora sejam apenas sombras disformes do que outrora representaram, estão vivos. Haverá algo mais encantador do que simplesmente estar vivo?
As pessoas pequenas não cresceram, as vontades mundanas continuam vazias e os desamores não deixaram de ser ridículos. De que me interessa tudo isso? Não mais chorarei por coisas frívolas. Cada lágrima é ouro que somente deve ser derramado por diamante.
Não sei ser feliz, mas sou feliz.

1 comentário:

Profeta disse...

Gostei muito deste, porque têm muito do Pessoa por aqui. E reconheço-me no texto, e sinto o que tu sentis-te ao escreve-lo. Simplesmente porque também eu que complico e sofro por pensar demais, desfruto - por vezes - de momentos em que tudo parece tão simples e fácil. Tão valioso e certo.

1 bjx