Ela vive para sempre. Contudo, repousa numa câmara de ar fértil. E, se sacudida do seu torpor, ergue-se para escrever. O que escreve?
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sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Linhas
Há linhas, mais de mil linhas, que me levam para longe. Mas essas são também as linhas que me trazem de volta, que me fazem regressar. Regressar de onde? Regressar para onde? Para casa.
Lembro-me de dias frios e dias quentes, quando a mágoa emergia e se afogava, em ciclos ininterruptos. Havia momentos! Momentos de tempo curto, momentos em que conseguia respirar, sem suspiros, sem doer. Simples e naturalmente…respirar.
Casa, a minha casa. Que falta me faz a minha casa! Não falo das quatro paredes, aquelas quatro paredes, montadas daquela forma, exactamente daquela forma. Falo dos sorrisos e das gargalhadas, do peso que me saía das costas assim que cheirava aquela áurea – aquela exacta áurea. Falo dos meus olhos verdes – mas não aqueles que se abrem no meu rosto –, com um brilho em forma de força que nunca esmorecera. Pelo menos, não até agora. E os assobios ruidosos pelos cantos, as corridas e saltos histéricos dos nossos companheiros, as vozes domingueiras! Eram os curtos finais de semana em que rejuvenescia. As vozes, aquelas vozes, são agora gritos ou sussurros cansados. E o timbre, o inesquecível timbre com que cresci… Mudou, tal como o tudo cá dentro. Às vezes, parece que já nem se fala a mesma língua: ninguém se entende; ninguém sorri.
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