Sete horas de Natureza
"O frio tinha chegado. Finalmente tivera coragem de assumir a liderança na corrida meteorológica.
Com o cair da noite, a malha fina da camisola parecia já não ser suficiente para impedir os insistentes arrepios na coluna. Seguiu por um caminho de paralelos, alinhados por ervas daninhas, que denunciavam a pouca movimentação naquela zona da cidade. Estava no meio do nada; nada preenchido por extensas vinhas abandonadas, silvas agrestes, folhas secas e colunas de pedra caídas. Caminhou sem medo do escuro e, entretanto, acendeu um cigarro, na esperança que o fumo funcionasse como ventilador de calor corporal. Continuou a caminhar, até que se deparou com uma clareira: do lado esquerdo, um espigueiro desfazia-se em pedaços de madeira, já espalhados pelo chão, numa selvajaria desenfreada. Perfeito, pensou.
Ainda nem o cigarro ia a meio, quando um ruído ensurdecedor lhe perturbou os tímpanos atentos. Num instinto assustado, ergueu os olhos e percebeu que ainda conseguia ver a torre da igreja, recheada de sinos imponentes; um pouco mais à direita, a lua lutava por um lugar no meio das nuvens… Perfeito, pensou.
A Serra até parecia ter crescido, tal era a paz daquele lugar. A sua imponência no horizonte, fazia-o sentir-se no centro de muralhas invictas. Sentia-se seguro. Prosseguiu até avistar um passeio rústico, de pedra mármore. Tentou sentar-se, mas o choque térmico foi tal que as pernas esticaram autonomamente. Passo sobre passo, durante minutos, caminhou quilómetros nos três metros de mármore…
De súbito, as pernas fraquejaram e o corpo já não obedecia à voz do pensamento. De olhos vidrados ficou prostrado no lancil, consciente da sua incapacidade e falta de coragem. Desejou que chovesse, na esperança que a água lavasse os sentimentos. Hoje, sei que nunca abandonarei o meu lancil, pensou."
(Continua)
Com o cair da noite, a malha fina da camisola parecia já não ser suficiente para impedir os insistentes arrepios na coluna. Seguiu por um caminho de paralelos, alinhados por ervas daninhas, que denunciavam a pouca movimentação naquela zona da cidade. Estava no meio do nada; nada preenchido por extensas vinhas abandonadas, silvas agrestes, folhas secas e colunas de pedra caídas. Caminhou sem medo do escuro e, entretanto, acendeu um cigarro, na esperança que o fumo funcionasse como ventilador de calor corporal. Continuou a caminhar, até que se deparou com uma clareira: do lado esquerdo, um espigueiro desfazia-se em pedaços de madeira, já espalhados pelo chão, numa selvajaria desenfreada. Perfeito, pensou.
Ainda nem o cigarro ia a meio, quando um ruído ensurdecedor lhe perturbou os tímpanos atentos. Num instinto assustado, ergueu os olhos e percebeu que ainda conseguia ver a torre da igreja, recheada de sinos imponentes; um pouco mais à direita, a lua lutava por um lugar no meio das nuvens… Perfeito, pensou.
A Serra até parecia ter crescido, tal era a paz daquele lugar. A sua imponência no horizonte, fazia-o sentir-se no centro de muralhas invictas. Sentia-se seguro. Prosseguiu até avistar um passeio rústico, de pedra mármore. Tentou sentar-se, mas o choque térmico foi tal que as pernas esticaram autonomamente. Passo sobre passo, durante minutos, caminhou quilómetros nos três metros de mármore…
De súbito, as pernas fraquejaram e o corpo já não obedecia à voz do pensamento. De olhos vidrados ficou prostrado no lancil, consciente da sua incapacidade e falta de coragem. Desejou que chovesse, na esperança que a água lavasse os sentimentos. Hoje, sei que nunca abandonarei o meu lancil, pensou."
(Continua)
1 comentário:
não li mas ta espectacular
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