Deitada sob o esquecimento“Lembro-me perfeitamente de ouvir tudo, calada. As palavras cortavam-me por dentro, como se fossem lâminas afiadas pelo vento que se ouvia do lado de fora. A boca que às vezes me beija, me admira pelo que eu sou, fez com que me dividisse e sangrasse na parte mais escondida de mim: os sentimentos.
Lembro-me de sentir um calor insuportável, a subir lentamente desde os meus pés até ao meu rosto. Embrenhei-me nos meus pensamentos, numa tentativa de auto-controlo. Restou-me o insucesso. Levantei-me num salto rápido, empurrei a cadeira contra a minha raiva, pedi licença e saí. Atrás de mim, ouvi alguém mandar-me chorar um pouco, porque chorar é parte da vida. Não chorei. Tornei-me no animal que todos somos, antes de sermos pessoas civilizadas. Desci até à nudez, quando o calor parecia sufocar-me. Libertei a raiva num pedaço de madeira imóvel, que se queixava num som abafado, de cada vez que os meus nós dos dedos o atingiam. Não fui capaz de parar voluntariamente. Não me cansei, não senti dor.
Lembro-me de sentir alguém perto de mim. A minha protecção tinha chegado. Vesti-me e fui embora. Não mais falei, parecia ter perdido a lucidez.
Não me lembro do que mais pensei, nem do que mais fiz. Só me lembro de ter acordado inteira, mesmo depois deste pesadelo.”
Lembro-me de sentir um calor insuportável, a subir lentamente desde os meus pés até ao meu rosto. Embrenhei-me nos meus pensamentos, numa tentativa de auto-controlo. Restou-me o insucesso. Levantei-me num salto rápido, empurrei a cadeira contra a minha raiva, pedi licença e saí. Atrás de mim, ouvi alguém mandar-me chorar um pouco, porque chorar é parte da vida. Não chorei. Tornei-me no animal que todos somos, antes de sermos pessoas civilizadas. Desci até à nudez, quando o calor parecia sufocar-me. Libertei a raiva num pedaço de madeira imóvel, que se queixava num som abafado, de cada vez que os meus nós dos dedos o atingiam. Não fui capaz de parar voluntariamente. Não me cansei, não senti dor.
Lembro-me de sentir alguém perto de mim. A minha protecção tinha chegado. Vesti-me e fui embora. Não mais falei, parecia ter perdido a lucidez.
Não me lembro do que mais pensei, nem do que mais fiz. Só me lembro de ter acordado inteira, mesmo depois deste pesadelo.”
1 comentário:
Não sei como é que consegues escrever tão bem.
Quando for grande quero ser como tu :) (para 2m só me faltam 50cm ah)
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