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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

A morte da Fénix


Explosão de luz - O céu no dia 2 de Janeiro de 2009
"Engoliu o sangue que lhe subiu à boca. Engoliu o soluçar do coração que se desfazia em sal. Engoliu os gritos que não lhe saíam e aquilo que eles, os outros, diziam.
Libertou emoções em atitudes que ninguém tomou. Libertou-se das correntes de consciência que a guiavam. Libertou o medo da dor. Libertou sentimentos para não tropeçar na alma. Libertou a própria alma e tornou-se ninguém. Acabou a libertar o vazio que preenchia o lugar do coração e o caminho que o conduz à alma.
Vendeu a subjectividade de ser para comprar asas ao concreto ninguém.
Aqui, morre o escritor, o músico, o artista, o cientista, o amigo: a Fénix."

1 comentário:

Ricardo disse...

Não lamentes a partida de algo que mais cedo ou mais tarde renasce. A fénix renascerá, sempre, das cinzas que a tua alma não tem mas os teus olhos conseguem descortinar.

Acredita na verdade e na humanidade. Acredita que ainda há pessoas boas, felizmente carentes de todos aqueles (res)sentimentos desprezíveis que um dia fizemos questão de partilhar, como forma de protesto, de escape e de alívio recíproco.

Eu estou aqui.
E aqui permaneço, apesar de sentir que os teus olhos têm enganado o teu coração ao sussurrarem-lhe que já não estou.


Ricardo